sábado, 26 de outubro de 2013

In-Desistências



Escolhas. Faça-as ou deixe-as.




Não gosto de nada por aqui disse Frodo, pedra ou poço, água ou osso.Terra, ar e água, tudo parece amaldiçoado. Mas nessa direção vai nossa trilha.
— É, é isso mesmo — disse Sam. — E de modo algum estaríamos aqui se estivéssemos mais bem informados antes de partir. Mas suponho que seja sempre assim. Os feitos corajosos das velhas canções e histórias, Sr. Frodo: aventuras, como eu as costumava chamar. Costumava pensar que eram coisas à procura das quais as pessoas maravilhosas das histórias saíam, porque as queriam, porque eram excitantes e a vida era um pouco enfadonha, um tipo de esporte, como se poderia dizer. Mas não foi assim com as histórias que realmente importaram, ou aquelas que ficam na memória. As pessoas parecem ter sido simplesmente embarcadas nelas, geralmente — seus caminhos apontavam naquela direção, como se diz. Mas acho que eles tiveram um monte de oportunidades, como nós, de dar as costas, apenas não o fizeram. E, se tivessem feito, não saberíamos, porque eles seriam esquecidos. Ouvimos sobre aqueles que simplesmente continuaram — nem todos para chegar a um final feliz, veja bem; pelo menos não para chegar àquilo que  as pessoas dentro de uma história, e não fora dela, chamam de final feliz. O senhor sabe, voltar para casa, descobrir que as coisas estão muito bem, embora não sejam exatamente  iguais ao que eram — como aconteceu com o velho Sr. Bilbo. Mas essas não são sempre as  melhores histórias de se escutar, embora possam ser as melhores histórias para se  embarcar nelas! Em que tipo de história teremos caído?



— Também fico pensando — disse Frodo. — Mas não sei. E é assim que acontece com uma história de verdade. Pegue qualquer uma de que você goste. Você pode saber, ou supor, que tipo de história é, com final triste ou final feliz, mas as pessoas que fazem parte dela não sabem. E você não quer que elas saibam. 



— Não, senhor, claro que não. (...) Será que as grandes histórias nunca terminam? 



— Não, nunca terminam como histórias — disse Frodo. — Mas as pessoas nelas vêm e vão quando seu papel termina. Nosso papel vai terminar mais tarde — ou mais cedo.


Tava relendo SDA... E deparei-me com esta fala do Samwise Gamgi, no final do segundo livro,  "As Duas Torres", falando sobre as grandes histórias (mas eu incluo as ordinárias também...) Os personagens dela não sabem como terminam. Nem sabem que estão  nela, a bem da verdade, porque não tem em suas mãos o enredo inteiro. Desconhecem se a luta valerá a pena, se o risco será recompensado, eles vão, valentemente, seguindo o caminho.
E fazem  o que tem que fazer APESAR do medo e que, independente das expectativas dos outros, a esperança vencerá, trazendo algo que com certeza, era melhor do que o que era antes. 

É a esperança um terreno mais seguro, confiando no amor de Deus para comigo e para o próximo.

É ir adiante, com coragem... Coragem = coração + ação. 

Quis muito voltar a estudar, mudar aquilo que pode ser mudado com aquilo que aprendesse, ser melhor para mim, e para os outros... Foi necessário muita coragem moral pra voltar à Universidade. E no momento, eu não vejo o final de tudo que quero. 

Quando olho as circunstâncias, elas não dão apoio à minha fé. O sentimento tem mudado, deixando-se levar por emoções frívolas e díspares, ao invés de somente confiar...

Perdoa-me, Senhor, e trabalha na minha fraqueza, pois é nela que, a tua palavra diz, manifesta o Teu Poder.

Graças a Deus e aos amigos, bons amigos, que Ele trouxe à minha vida, ao longo dos anos.
De lugares onde não esperaria, e tirou alguns ( livrou-me do mal, eu creio).

Espero sempre. E creio que a minha esperança não é vã. Que eu possa crer, e, de fato, trazer à luz as coisas que ainda não vieram à existência...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Voltando pelo fio de Ariadne

Quantas vezes, não pensei sobre minha vida, sobre ter ou não ter alguém, sobre viajar, estudar fora, chutar o pau da barraca, literalmente ...São tantos 'se' para poucos 'quando'. Até lá, fazer o que estiver ao meu alcance para ser tudo muito bom.

Segue o texto que li num blog interessante, o qual sigo há algum tempo.

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O Que Torna Uma Pessoa Especial Dentre Milhões de Outras?


A bossa nova tocando no rádio naquela manhã me lembrou do calor no peito que eu sentia toda vez que encontrava certo namoradinho de adolescência que eu tinha. Não era nem a presença dele em si, e nem as suas feições que não eram as mais atraentes. Era a paz que me invadia por dentro cada vez que ele me olhava nos olhos e perguntava se eu tinha dormido bem à noite. Ele era o rei dos pequenos requintes de delicadeza, como o bombom em cima do caderno de matemática, a mensagem desejando boa prova e, claro, o olhar, aquele cativo e carinhoso de todo dia que fazia meu coração ceder. Não eram os gestos em si, era a forma como aquilo tudo enchia meu copo até a borda de tudo que eu precisava naquele momento, a paz ou a tormenta. Nosso namoro não durou muito, mas deste dia em diante, passei a abraçar na minha vida pessoas assim, capazes de construir sorrisos sinceros na alma da gente. Pessoas bem especiais, basicamente encantadoras. Pessoas que nos fazem sentir especiais.

Descobri que o tal “borogodó”, indispensável em qualquer relacionamento que se preze, está fundamentado no encanto. Não é no rostinho de boneca, no presente de natal caríssimo, muito menos no abdômen sarado. Encanto mesmo vem de dentro. Gente que faz nosso coração gargalhar, que abraça quentinho colando o rosto, prepara o chá no fim de semana de gripe, que ri de si mesmo, cumprimenta o porteiro, que respeita o momento, o tempo, o vento. Gente que muitas vezes não sabe por qual bifurcação do caminho você veio, que tipo de bagagem você vem trazendo, mas tem certeza de que dedicação e respeito fazem parte do alicerce de qualquer relação, seja ela amorosa ou não. Gente que te basta.

Não sei dizer se o mundo anda carente de pessoas desse tipo ou se falta leveza para se permitir encantar. Existem hoje aproximadamente 7 bilhões de pessoas no mundo, e ainda assim minha vizinha não encontra uma companhia bacana para partilhar seu passeio no parque aos domingos. Ainda não encontrei alguém especial, ela diz suspirando. Sua ânsia encontra uma variedade de suspiros similares ao longo do planeta neste momento, e olhando pra ela, penso como ainda pode existir tanta gente solitária. O mantra do livro de cabeceira diz que quando a gente não sabe o que procura, não sabe reconhecer quando encontra. Será que não sabe mesmo ou estamos vivendo nossos dias com os olhares errados?

É o tal do enxergar com os olhos da face e não da alma. Tocar com a ponta dos dedos em vez de se permitir uma entrega completa, dessas que abraçam o todo e mudam a vida da gente. Porque beleza tem-se aos montes, encaixe de beijo na boca é fácil e se aprende; difícil mesmo é tirar o ar quando se vê. Complicado mesmo é ser apenas você para o outro, sem máscaras, maquiagens, rodeios, salto alto, camisa de marca, vodka na mesa da balada, foto no Facebook ou carro importado e, ainda assim, a sua essência bastar para o bem-estar do parceiro. Estas são as pessoas especiais: aquelas que sabem conceder seu encanto e aquelas que sabem reconhecer essa dádiva. Porque as pessoas especiais sabem pra quem aparecem. Tem que existir a sorte de reciprocidade e merecimento. Tem que saber enxergar além daquilo que a genética e o status social te permitem ver. Porque amor é assim, acontece ou não, mas se nosso coração está distraído com os atrativos “errados”, o acaso passa e a gente nem percebe. Este é o segredo daquele casal da faculdade que, aos olhos dos outros, pode parecer tão pouco convencional. Mais que a resposta para os desejos um do outro, eles são calma, aconchego e paz depois de uma semana de trabalho. São parceiros, amantes e amados; são especiais entre si, para si e só.

Sobre o meu namoradinho da adolescência, bom, o amor se foi, ele também, mas aquele sentimento de plenitude que o olhar zeloso dele provocava… Esse não só permaneceu como também se repetiu algumas outras vezes pelo caminho. Porque uma das delícias da vida é ter a oportunidade de esbarrar em várias pessoas especiais ao longo da travessia. Se o campo for florido, os sorrisos sinceros, os abraços apertados e os sentimentos genuínos, cedo ou tarde, um beija-flor pousa por ali e, dentre tantos que se foram, decide ficar. Se for o tempo da migração, nada se perde pra sempre. Pelo contrário, quando a mágica é real, conserva-se naquela porção gostosa do amor que sobrevive após o grosso do sentimento findar. Encanto é isso, a livre aproximação de alguém que tem toda a liberdade de quando bem entender, partir. Melhor ainda, encanto é a morada sem grades do amor, que permite o voo para jardins mais floridos – porém, é muito mais convidativa a doce e livre permanência.

Fonte: CSV