domingo, 8 de maio de 2011

2º DOMINGO DE MAIO

Samuel Gonçalves: 2º DOMINGO DE MAIO: "MÃE. Como descrever o que não tem descrição? Me fiz essa pergunta por varias vezes e a resposta foi sempre a mesma NÃO TEM COMO DESCREV..."



Fica a dica!

E Feliz Dia das Mães!

domingo, 1 de maio de 2011

Vamos ser nada?






Você me diz “Oi, tudo bem?”, eu - seca – respondo “tudo”. 

E depois? O que vem depois disso? O que posso te perguntar? O que você quer me contar? Até que ponto posso entrar na sua vida? Porque eu não sei mais nada de você. Não sei onde está trabalhando, que bares está frequentando, com que amigos anda se divertindo, quem está tomando conta do seu coração. Já não sei o que é importante pra você. 

Deixei o tempo envelhecer nossas conversas. E agora, quando você aparece, não consigo decifrar suas palavras, sua demora. Preencho suas reticências com medos e possibilidades pavorososas, produtos de noites insones. Talvez você tenha interpretado errado meu silêncio prolongado, talvez tenha cansado de esperar que eu dissesse mais alguma coisa, qualquer coisa. Talvez tenha simplesmente se ausentado, esquecido. 

Por via das dúvidas permaneço muda, congelada na expectativa irracional de que você me dê uma chance, só mais uma, de te contar que sinto demais a sua falta, e que basta um “Oi, tudo bem?”, pra me aquecer

Mas é claro, se você me chamar, vou te perguntar é sobre o seu dia, o tempo ruim, a correria de sempre… Será que você vai entender que esse é o meu jeito – covarde, medroso – de mostrar que sua amizade é das coisas mais preciosas e raras que tenho?


Catei daqui: Jornal de Poeta

Então, reconheço que a liberdade é só para uns poucos



“Se eu me demorar demais olhando Paysage aux oiseaux jaunes, de Klee, nunca mais poderei voltar atrás.

Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante. Assusta a visão irremediável e que talvez seja a da liberdade. O hábito de olhar através das grades da prisão, o conforto de segurar com as duas mãos as barras, enquanto olho. A prisão é a segurança, as barras o apoio para as mãos.

Então reconheço que a liberdade é só para uns poucos. De novo coragem e covardia se jogaram: minha coragem, inteiramente possível, me amedronta. Pois sei que minha coragem é possível.

Começo então a pensar que entre os loucos há os que não são loucos. É que a possibilidade, que é verdadeiramente realizada, não pode ser entendida. E à medida que a pessoa quiser explicar, ela estará perdendo a coragem, ela já estará pedindo; Paysage aux oiseaux jaunes não pede.

Pelo menos calculo o que seria liberdade. E é isso o que torna intolerável a segurança das grades; o conforto desta prisão me bate na cara. Tudo o que eu tenho aguentado – só para não ser livre…” 


Clarice Lispector, em Para Não Esquecer

 Por isso eu digo que não sou louca... apenas não dei margem de acesso à minha coragem. E vivo me explicando, ai, que fado cheio de enfado.