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Mostrando postagens de 2011

Stand By Me ...

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É bem por aqui, mesmo...quem há de saber?
Não se pede muito, apenas que se esteja ao lado...

Ah, Cecília...

... cujos poemas quase sempre refletem meu interior, sem usar levianamente as palavras.

Hoje ouvi uma palavra muito interessante, de um homem abençoado: é necessário saber usar as palavras e de certa forma, deixá-las no ponto certo, sem ultrapassar limites impostos ou abster-se dos mesmos, ignorando-as.

O que me deixa feliz de verdade, e que explode em cores na minha imaginação, é que sei que, dia a dia, sou transformada por aquilo e aqueles que me fazem bem, e mesmo dentro da tensa e escorregadia dúvida, fica a certeza de que serei melhor do que fui ontem.

Deparei-me com 'Canção Excêntrica', e ainda é o mesmo sentimento de anos atrás, quando o li pela primeira vez. Identificação completa, minha prancheta de desenho que o diga... existe frase dele por todo lado!

Ando à procura de espaço... para o desenho da vida. Em números me embaraço e perco sempre a medida... Se penso encontrar saída, em vez de abrir um compasso, projeto-me num abraço e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo…

Saudade sem destinatário

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"Ando sentindo uma saudade descabida. Saudade descabida porque não está cabendo em mim mesmo. Não cabe em lugar algum. Transbordou. Saiu da borda. Uma saudade estranha. Uma saudade de ninguém. Uma saudade que não tem nome ou um endereço específico. Saudade de ligar pra alguém e chamar pra almoçar. Saudade de sair do trabalho seis horas da tarde e chamar pro cinema. Saudade de assistir televisão domingo à tarde debaixo do edredom. Saudade de ter com quem conversar no final do dia. E de ter alguém em quem pensar quando acordo. Saudade de poder falar que gosto (e também poder falar “não gostei”) sem precisar ensaiar antes. Saudade de sentir saudade de alguém.
Saudade do cheiro do meu perfume favorito em outra pele suada. Saudade de ouvir que eu sou linda (de manhã cedo com a cara amassada). Saudade de ficar em silêncio ouvindo a respiração. Saudade de viajar sem precisar dirigir. De cantar no carro e alguém me ouvir. Saudade de ouvir o CD de músicas favoritas que eu nã…

Comporto-me

É, eu confesso:


"Você tem cheiro de roupa limpinha com mente suja e eu quero te rasgar inteiro.
Mas apenas te dou um beijinho no rosto.
Preciso me comportar. "

Tati Bernardi


Diálogo

— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida."


Rita Apoena A simplicidade que emana é tão complexa por dentro.

Mais perdida que as palavras

Ei, quando esta cidade estiver no crepúsculo, Em algum lugar do mundo, o sol nasce novamente... Em meio às tuas mãos, enquanto uma flor murcha, Pode ser que uma pequenina semente caia...
Então, se você fizer desse solo, o caminho que você irá seguir Mesmo que de olhos fechados, haverá amor?
Se esse mundo fosse plano, Nós dois nunca teríamos cruzado nossos caminhos. Estaríamos correndo, como se fugíssemos um do outro. Sem diminuir a velocidade.. E, em meio a um reencontro milagroso, Quem sabe se ficaríamos face a face novamente...*
Ir caminhar na praia hoje me fez refletir sobre o quanto minha vida anda como um poço: água parada, secando e servindo de foco pra mosquito-preguiça. E sobre como o fato do mundo não ser plano, como se acreditava , me fez ter encontros memoráveis com pessoas que me inspiram. É um amigo, um professor, um desconhecido papeando no ônibus ou numa fila para ingressos do cinema. E quando eu tiro o dia pra reverberações internas, é fato que vou abstrair de todo o resto, de tu…

Mas, se você tivesse ficado, teria sido diferente?

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Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você.
Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você.
Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era …

(IN)Definição

"Pedi uma definição: ou me quer e vem, ou não me quer e não vem.
Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração.
Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida.
E não darei.
Não é mais possível.
Não vou me alimentar de ilusões.
Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos.

No plano real: que história é essa?
No que depender de mim, estou disposto e aberto.
Perguntei a ele como se sentia.
Que me dissesse.
Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio.
Acho que fiz bem."
Caio Fernando Abreu
E tenho dito, por outras palavras...

2º DOMINGO DE MAIO

Samuel Gonçalves: 2º DOMINGO DE MAIO: "MÃE. Como descrever o que não tem descrição? Me fiz essa pergunta por varias vezes e a resposta foi sempre a mesma NÃO TEM COMO DESCREV..."



Fica a dica!

E Feliz Dia das Mães!

Vamos ser nada?

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Você me diz “Oi, tudo bem?”, eu - seca – respondo “tudo”. 

E depois? O que vem depois disso? O que posso te perguntar? O que você quer me contar?Até que ponto posso entrar na sua vida?Porque eu não sei mais nada de você. Não sei onde está trabalhando, que bares está frequentando, com que amigos anda se divertindo, quem está tomando conta do seu coração. Já não sei o que é importante pra você. 

Deixei o tempo envelhecer nossas conversas. E agora, quando você aparece, não consigo decifrar suas palavras, sua demora. Preencho suas reticências com medos e possibilidades pavorososas, produtos de noites insones. Talvez você tenha interpretado errado meu silêncio prolongado, talvez tenha cansado de esperar que eu dissesse mais alguma coisa, qualquer coisa. Talvez tenha simplesmente se ausentado, esquecido. 

Por via das dúvidas permaneço muda, congelada na expectativa irracional de que você me dê uma chance, só mais uma, de te contar que sinto demais a sua falta, e que basta um “Oi,…

Então, reconheço que a liberdade é só para uns poucos

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“Se eu me demorar demais olhando Paysage aux oiseaux jaunes, de Klee, nunca mais poderei voltar atrás.
Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante. Assusta a visão irremediável e que talvez seja a da liberdade. O hábito de olhar através das grades da prisão, o conforto de segurar com as duas mãos as barras, enquanto olho. A prisão é a segurança, as barras o apoio para as mãos.
Então reconheço que a liberdade é só para uns poucos. De novo coragem e covardia se jogaram: minha coragem, inteiramente possível, me amedronta.Pois sei que minha coragem é possível.
Começo então a pensar que entre os loucos há os que não são loucos.É que a possibilidade, que é verdadeiramente realizada, não pode ser entendida. E à medida que a pessoa quiser explicar, ela estará perdendo a coragem, ela já estará pedindo; Paysage aux oiseaux jaunes não pede.
Pelo menos calculo o que seria liberdade. E é isso o que torna intolerável a segurança das grades; o conforto desta prisão me bate na cara. Tudo o…

"me deseja também uma coisa bem bonita"

Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez.
CFA

É, querido leitor - e são queridos mesmo - eu desejo a vocês fé. Mas aviso que fé é um Dom, e não vem de qualquer lugar. É um dom divino crer naquilo que a gente não vê. Então, eu posso desejar a você que tenha. Mas ela não virá sobre você como uma tsunami de sensações. Espere sentado se pensar assim. Tem que esperar correndo, andando, fazendo, vivendo o dia-a-dia... é nas dificuldades que a gente persevera, e mostra à platéia que quem vai até o fim da corrida, ainda que a resposta seja negativa, é que é digno do prêmio.
Na verdade, eu ando meio sem fé. Meio é algo nem existe, mas deixa eu com as minhas burricizinhas macabras contra  a Gramática. 
Então, desejem-me coisas bem bonitas - e sabedoria pra lidar com elas!
Uma ótima seman…

"Do teu coração me diz adeus uma criança"

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Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda





Acaso (2)

'É como você bem disse sobre a arte de saber viajar. A viagem começa no momento em que decidimos ir. A beleza que nos espera já se antecipa no desejo que nos faz arrumar as malas.
Eu decidi viver assim. As malas estão sempre prontas. Quando eu percebo que a vida me chama, não penso duas vezes. Eu vou. '

[Pe. Fábio de Melo]
Estava eu a 'futucar'  alguns textos e reflexões - tipo as caixinhas de felicidade e humor para todos os momentos que vivo...bom ou mau humor, diga-se.
E encontrei esta pequena notação sobre a ideia de viajar. Quando penso em viajar, já estou literalmente viajando em meu pensamento. Já esquematizei todas as possibilidades, todos os desejos, a lista de prioridades, o que vou e não vou fazer naquele lugar, e aí esqueço que podem ter imprevistos, acasos, acontecimentos sem a notação científica de funcionar como o planejado!
E como é difícil para eu estar sempre com as malas prontas, e aproveitar as oportunidades "viagísticas" que me aparecem...

Acasos (1)

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"Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro"

Rubem Alves