segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tinha terminado, então.

 
Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo... 

Impressiona-me sempre o fato de certos escritores descreverem os sentimentos como se eu tivesse contado para ele o que sinto, o que passo, o que anseio. 
Impressiona-me, ainda mais, o fato da tristeza ser maior que a raiva, que o desengano, que a vontade dilacerante de arrancar o coração fora, guardá-lo numa torre de cristal, e viver apenas respirando, comendo, bebendo mecanicamente. 
Ok, a comida não andou descendo, ah, mas ela vai descer e a vida retornará ao meu corpo. 
Só não sei que dizer, por hora, da minha alma.
O texto é de Caio Fernando Abreu, e a foto, é de minha autoria, na época em que o que é terminado, tinha apenas começado.

Boa nova semana a todos!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O "amor" não tira férias...





“Comprovei que tudo que já foi escrito sobre o amor é verdade.
Shakespeare disse: “as buscas terminam com o encontro dos apaixonados”.
Que idéia maravilhosa!!
Pessoalmente, eu nunca passei por nada parecido com isso.
MAs estou convencida de que Shakespeare já.
Suponho que penso no amor mais do que deveria; me admira o grande poder do amor em alterar e definir as nossas vidas.
Shakespeare também disse que o amor é cego.
Isso sei que é verdade.
Para alguns, sem explicação, o amor se apaga.
Para outros o amor se vai.. ou brota quando menos se espera, mesmo que seja só por uma noite.
No entanto, existe outro tipo de amor. O mais cruel… aquele que quase mata suas vitimas.
Chama-se “amor não correspondido”. E nesse tipo, sou experiente.
A maioria das histórias de amor falam das pessoas que se amam mutuamente.
Mas, o que acontece com os demais?
E as nossas histórias?
Aqueles que se apaixonam sozinhos?
Somos vitimas de uma relação unilateral.
Somos os amaldiçoados dos amantes, somos os não-amados.
Os mortos-vivos, os deficientes sem estacionamento reservado…”





Do filme "O amor não tira férias"
Foto: Meu acervo particular =)