domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sobre a morte



A morte nos sobrevém como ladrão. Sempre dizemos que estamos preparados [ou não], mas, no fundo, nossas emoções primárias sobem à nossa cabeça: somos quase egoístas. Não queremos nos desprender daquilo que nos foi concedido pro um determinado tempo. Agarramo-nos aquilo como se fosse necessário à nossa sobrevivência, quando, de fato, todas as coisas que nos são essenciais nesta vida, foi-nos dado no momento em que tomamos nossa primeira respiração neste mundo.


Tudo o que precisamos...


Então, crescemos, desenvolvemos nossas afeições e nos apegamos. Ah, o apego... O amor, a ternura, o sentimento de ser amado e de amar, carinho, cuidado, raiva, aborrecimento, perdão... Emoções e atitudes que nos conectam uns com os outros e com o mundo que nos rodeia. E a partir daí, não somos mais só nós, solitários e desconectados. Somos nós e aqueles que amamos e que nos amam. Aqueles que nos mantém em movimento. Que nos fazem querer mais de tudo, o melhor de tudo. Que nos fazem ir ao céu, e algumas vezes, ao fundo do poço...


E, quando, num determinado tempo, estes queridos nos são requeridos, somos tomados de uma mesquinharia imensa... e não queremos deixá-los ir...


Hoje estou me sentindo mesquinha.



Em memória de duas queridas tias-avós e à única avó que conheci,
que partiram, nos deixando lembranças doces e eficazes sobre ser mulher, sobre ser gente.
I'm still missing her.



[escrito em 27/12/2006]

3 comentários:

Rodrigo disse...

Muito lindo seu texto, passa com perfeição o que sentimos quando perdemos alguém querido.

Continue escrevendo textos bonitos como esse, você escreve muito bem.

luciana disse...

tb achei lindo!!!
Perder é complicado... mas inevitável.
bjs, saudade

fabiana disse...

quinha, li seu texto a algum tempo, mas só tive como comentar hj. gostei muito.

saudade de vc! aparece! bjinhos